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Satanás ou Lúcifer? Ele era realmente Músico?

O folclore sobre o “diabo/lúcifer/musico” começou com São Jerônimo na tradução da vulgata latina no final do século IV, atribuindo a Ezequiel certa visão já que o mesmo foi o profeta que mais teve visões de querubins segundo a bíblia. As passagens em Ezequiel 28 e Isaías 14 as quais supostamente referenciam a Lúcifer (hebraico הֵילֵל e do grego ἑωσφόρος) que na tradução King James significa “brilhante estrela da manhã” são meramente literais. Ou seja, o Profeta se referia ao próprio rei de Tiro e nada mais. Além disso, a estrela da manhã (Lúcifer) também é citada em Apocalipse 22, porém transliterada a Jesus, erro hipotético de tradução. A única alusão a lúcifer está no apócrifo de Enoque (livro não reconhecido pela comunidade cristã) que não está na bíblia, mas essa é outra discussão.

Os termos únicos para identificar Satanás são: “inimigo, acusador e adversário” – Isaías 14, 2 Coríntios 11, Lucas 10, entre outros versículos. Fato é que, Ora! Não existem considerações sobre satanás ser um músico. A música na bíblia se traduz já no princípio. Em Gênesis 4:21, por exemplo, descobrimos que o pai dos instrumentos musicais era Jubal, filho de Lameque, sete gerações depois de Adão. Ele inventou a lira (kinnor), e a flauta (ugav). Já o nome Jubal (yuval = chifre de carneiro) que traz em si uma referência ao mais destacado dos instrumentos em Israel, a saber, o shofar (chifre de carneiro). O Rei Davi, músico/poeta, também é apontado com um dos pais da música – Salmos 47. Mas Lúcifer? Nunca (risos). Essa falácia de “Satanás/música” se dá pela influencia de alguns pentecostais nos anos oitenta cujo fundamentalismo e o ultraconservadorismo invadiu suas cabeças. Assim, essa insensatez trouxe a música um papel secundário nas Igrejas evangélicas. Mas não pela plena adoração e sim pela exploração do trabalho voluntário dos músicos fazendo-do-os ocultar e oprimir qualquer tipo de manifestação artística.

Mas vale lembrar que a música ruim é aquela que nos leva para longe de Deus. Realmente existem músicas que difamem o Espírito Santo, encintam o pecado e adoram a outros Deuses. Por isso, cabe uma analise. Mas existem músicas (e quando eu digo música eu não separo secular e gospel) que são reflexões da alma, que contam historias e poesias traduzidas em declarações. Agostinho em sua visão cosmológica dizia que em Deus esta a suma perfeição, logo, Deus está em tudo que é perfeito. Quando ouvimos uma música em que a harmonia, o ritmo e o andamento são perfeitos, além de letra é claro, ali está Deus. Deus está na perfeição da Arte. Martinho Lutero, pai do protestantismo, deu à música atributos pedagógicos. Carl F. Schalk (SCHALK, 2016) afirma em seu livro Paradigmas de Louvor que Lutero usava versículos da Bíblia em forma de baladas para ensinar. Então paremos com o folclore sobre a música e satanás. Isso não existe!

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